Teatro Ibérico com novo fôlego musical

O Teatro Ibérico, com estatuto de utilidade pública desde 1985, e tendo sido distinguido em 2005, com a Medalha de Mérito Cultural, atribuída pela Ministra da Cultura, tem nos seus 29 anos de existência, marcado a cultura portuguesa, com um percurso ininterrupto dedicado aos espetáculos, aos cursos e eventos culturais,

Tudo começou em 1981, quando um grupo de jovens atores, à frente dos quais se encontrava Xosé Blanco Gil, decidiu fundar a Associação Teatro Ibérico. Um acordo, com o então Fundo de Desenvolvimento da Mão-de-Obra, hoje intitulado Instituto do Emprego e Formação Profissional, permitiu à associação estabelecer as suas atividades na Igreja do Convento de Xabregas, em plena Rua de Xabregas, tendo o espaço começado a ser identificado unicamente como Teatro Ibérico, o que ainda hoje se mantém. Nos últimos anos, fruto da carência de fundos, o Teatro Ibérico encontrava-se estagnado, pelo que tornou-se necessário recompor os órgãos sociais da Associação Teatro Ibérico, o que foi feito há sensivelmente um ano, tendo a Comissão Administrativa decidido orientar muitas das atividades que ali decorrem, para a música e para a arte lírica, devido às ótimas condições acústicas que o Teatro possui. Cumpriu-se assim um objetivo, pelo qual o Presidente da Junta de Freguesia do Beato lutava: ter um grande teatro na Freguesia, com programação cultural regular.

Teatro Ibérico navega à vista

O Boletim Informativo “O Beato” quis saber um pouco mais do atual momento do Teatro Ibérico, o que motivou uma conversa com Laureano Carreira, que é o Diretor Artístico, desde a recomposição dos corpos sociais da Associação Teatro Ibérico (os outros são Fernando Vieira, que é o Diretor Técnico, e Anselmo Rodrigues, que é o Diretor Administrativo).

Laureano Carreira começou por referir as obras de requalificação, que o Teatro foi alvo em 2011, e que corrigiram alguns aspetos ao nível da segurança e de infraestruturas. Têm sido realizados alguns espetáculos de música erudita, e alguns eventos mais reservados, como um concerto de música ibérica do renascimento, ou um concerto de tubas, que teve tanto de fantástico como de bizarro, e que serviu para a apresentação do cd de Sérgio Carolino. Numa vertente mais popular, “sem que isso signifique massificação pois esta não é garantia de boa qualificação”, Laureano Carreira referiu a comédia musical “O Julgamento do Chico do Cachené”, que sobe em cena, todos os Domingos, pelas 17 horas, até dia 17 de Junho. No próximo mês estreará uma ópera de Gaetano Donizetti.A música é de resto a filosofia que impera no Teatro Ibérico, de forma a aproveitar as características do espaço, com grande qualidade acústica. No entanto, e segundo Laureano Carreira “a programação musical que o Teatro Ibérico tem neste momento, é condicionada por contenções financeiras. Costumo dizer que no presente, navegamos à vista, pois não existem apoios financeiros estatais ou camarários. Vivemos com os meios e com as vontades que é possível angariar, pelo que é arriscado fazer uma programação anual, sem estes apoios”, concluindo que “navegar à vista, no entanto não quer dizer que o barco não navega: o barco navegar também é da nossa filosofia.”