Associação de Freguesias da Zona Oriental de Lisboa

A ideia de criar uma Associação de Freguesias da zona oriental de Lisboa, que compreende as freguesias do Beato, Marvila, Santa Maria dos Olivais e São João, tem vindo a tomar forma, e avança com passos seguros, estando os 4 Presidentes destas Juntas de Freguesia perfeitamente sincronizados e a comungar da mesma vontade de, através de união de esforços, projectar as suas Freguesias na cidade de Lisboa.

É sabido que hoje em dia as Freguesias para conseguirem ter mais competências, não podem seguir uma estratégia de isolamento, porque este acarreta maiores custos. Um exemplo bastante elucidativo é o alcatroamento de ruas. Se esta competência for apenas de uma Junta de Freguesia, torna-se economicamente inviável, uma vez que a área a contratar tem que ser necessariamente bastante grande. Os custos por metro quadrado são muito maiores do que se forem feitos numa área mais alargada. Para que isso aconteça, para que se consiga adquirir novas competências, em áreas críticas, e nas quais, se considera que a CML não consegue dar conta do recado, surge a necessidade de associação para se ganhar mais força.

Ao associar Beato, São João, Marvila e Santa Maria dos Olivais, ou seja 25% da população total do Concelho de Lisboa, vai ser potenciada uma maior força a reivindicar investimentos. O Beato está a associar-se a Freguesias maiores e com capacidade de fazer coisas em conjunto, que podem aumentar o nível de exigência e o nível de realização. Do ponto de vista legal não é possível a candidatura a fundos comunitários, se não for feita através de uma Associação de Freguesias, seja ao nível de formação, ou ao nível de projectos sociais. Desta forma vai existir uma capacidade  maior de obtenção de receitas para posterior investimento. Grande parte do conjunto de receitas que as Freguesias têm, provêm da Câmara Municipal de Lisboa, pelo que com a diversificação de fontes de receita, conseguiremos aumentar o total de receitas.

Questionámos Hugo Xambre Pereira sobre as motivações que o levam a querer associar-se a Freguesias vizinhas: “no mandato anterior fizemos pequenas obras um pouco por todo o lado no Beato. Agora todos sabemos que existem obras que não podem ser feitas apenas com os recursos financeiros de uma Junta. Mas eu quero dar esse passo em frente. A forma de o conseguir é associar-nos, ter mais força, para termos capacidade de investimento, que de outra forma seria impensável. Hoje o nosso tecto máximo de obras anuais, ronda valores na ordem dos de 8 mil a 10 mil euros. Ora muitos dos problemas que nós temos não podem ser resolvidos apenas com essas verbas. Estamos numa altura em que a CML tem um défice enorme, e uma incapacidade de investimento. Temos que ser criativos. O que não podemos fazer é parar e arranjar desculpas para não ir mais além. A população tem que perceber que é um caminho longo e que não é imediato, mas que devia ter sido feito há muitos anos e que agora não pode parar. Não me importo de ser eu a semear agora, para outros no futuro virem a colher”.